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Há mais de duas décadas a violência e a criminalidade vêm ocupando um lugar central na agência pública das principais cidades do Brasil. Quase que simultaneamente, o sentimento de insegurança se difunde entre os cidadãos. Inicialmente circunscritos aos grandes centros urbanos, esses fenômenos tem se expandido gradativa e consistentemente para as cidades médias e do interior do país. Ao longo desse período, o poder público demonstrou uma inacreditável incapacidade de dar respostas conseqüentes, convertendo-se com freqüência em mais um ator a alimentar o circuito que, em tese, lhe caberia reverter. Há poucos anos, respondendo a questões do eleitorado, o poder municipal deixou de se escudar na Constituição, que atribuiu aos estados à tarefa de cuidar da segurança pública, e passou a assumir, sem violar as normas constitucionais, um papel nessa esfera específica. Opera-se, então, um deslocamento importante na abordagem do problema da segurança. Em lugar da ação tradicionalmente reativa, o poder público adota uma postura proativa. O foco se desloca do combate ao bandido para a qualidade de vida do cidadão. Esse é um processo que ainda está em seus momentos iniciais. Ainda são poucas as prefeituras que assumiram essa nova perspectiva. Há indícios, porém, de que tal tendência seja irreversível e, tudo leva a crer, constitua-se na mais promissora alternativa para a reversão do quadro atual.
O livro reúne trabalhos voltados para o mapeamento e a análise de algumas dessas experiências. Sendo o próprio objeto de estudo ainda incipiente, os próprios estudos são, também, exploratórios. Têm o mérito de auscultar um processo ainda em suas origens. Representam, pois, uma iniciativa inédita, que vem se somar a outros trabalhos dedicados aos estudos sobre segurança pública, campo ainda tão carente de acúmulo de massa crítica e análise. Reunindo alguns dos mais importantes estudiosos de tema da Segurança no Brasil, o livro aqui apresentado é, desde já, uma peça importante de uma literatura com inegável relevância política e sociológica. Torçamos para que esse campo se expanda, para que as experiências municipais se multipliquem e sejam, concomitantemente, acompanhadas por análise críticas como as aqui apresentadas. Somente desse modo a crise na segurança pública do Brasil deixará de ter a gravidade atual e se tornará, quem sabe, objeto de estudo dos historiadores e demais especialistas em revirar o passado.
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