Percepções sobre violência policial na cidade do Rio de Janeiro

Manifestação contra a violência policial no Alemão, RJ

Justificativa e objetivo

Entre os fatores responsáveis pelos altíssimos níveis de violência policial no Brasil está a tolerância, ou mesmo o apoio, de parte da população ao uso dessa violência, especialmente contra criminosos ou supostos criminosos. As repetidas frases “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos só para humanos direitos” parecem expressar forte adesão a uma lógica justiceira, resistente a argumentos contrários de qualquer natureza.

Ainda são pouco conhecidos, porém, os valores, ideias e percepções que alimentam essa lógica, assim como as características dos indivíduos ou segmentos mais apegados a ela, o que torna difícil elaborar meios eficazes para desconstruí-la. O objetivo do presente projeto é compreender melhor os pressupostos e mecanismos do apoio à violência policial para subsidiar ações e campanhas que possam abrir caminhos de sensibilização e mudança.

Atividades

  • Aplicação de questionários a uma amostra representativa da população de 16 anos ou mais de idade residente na cidade do Rio de Janeiro, entrevistada em pontos de fluxo. A amostragem obedecerá a cotas por sexo, faixas etárias, níveis de escolaridade, regiões da cidade e moradia ou não em favela, e o questionário conterá algumas formulações contrastantes para testar, de forma quase-experimental, a influência de certos conteúdos no grau de apoio à violência policial.
  • Oito grupos focais, com pessoas recrutadas segundo os perfis mais relevantes que o levantamento quantitativo apontar – técnica com a qual se espera captar dinâmicas coletivas de transmissão e reprodução de ideias, valores e pressupostos, bem como fraturas, oscilações e contradições que sinalizem possíveis caminhos para a mudança.
  • Entrevistas individuais em profundidade com pessoas também escolhidas de acordo com os perfis mais relevantes apontados pela pesquisa quantitativa, para explorar as conexões entre pressupostos, valores, ideias e percepções que sustentam a tolerância ou o apoio a execuções extrajudiciais, torturas, maus-tratos e outras formas de uso ilegal da força tão frequentes nas práticas das polícias do Rio de Janeiro e do resto do país.

Equipe

  • Julita Lemgruber, Ignacio Cano, Leonarda Musumeci (coordenadores)
  • Paulo Victor Leite Lopes (pesquisador)
  • Sonia Nunes (coordenadora de campo)
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