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Mais do mesmo? (Julita Lemgruber)

Em sete anos, a prefeitura do Rio de Janeiro investiu 350 milhões de reais em programas sociais na Maré. Os 15 meses de ocupação daquela área pelas forças armadas custaram aos cofres públicos 600 milhões de reais. Não é difícil entender que esta equação não fecha.

E não fecha porque ocupação militar, seja pelas forças armadas, seja pela força nacional, seja por policiais militares, não é política de segurança pública sustentável. Não fecha porque não se investe em programas sociais que possam, de fato, construir possibilidades para a juventude das áreas pobres desta infeliz cidade.

Caminhar pelas ruas da Maré hoje e constatar a desenvoltura com que jovens transitam fortemente armados é a prova definitiva de que soluções emergenciais, pontuais, não importa a dimensão do investimento, estão fadadas ao fracasso. Não há soluções mágicas, simples ou imediatas que possam garantir a segurança dentro e fora das favelas.

Mas, o que precisamos, de imediato, e para isto não precisamos de tropas federais, é redefinir a forma como a polícia fluminense lida com o tráfico de drogas. O Rio de Janeiro vem desenvolvendo uma política míope de guerra às drogas. Aparentemente, o governo federal parece concordar com a estratégia e vem colocar mais lenha nesta fogueira. As mortes diárias de policiais, de supostos traficantes e de moradores das favelas não causam qualquer indignação. Parecem fazer parte da paisagem. Desafiar esta política é preciso. A obrigação do governo federal é, sobretudo, desafiar esta política e não fortalecer estratégias suicidas.

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