• 06
    set
    Como são as plantações que produzem maconha para o Brasil

    Investigação de Matias Maxx é uma das vencedoras de microbolsas  de reportagens Pública/CESeC

    Texto de Anabela Paiva

    Ativista da liberação da maconha no Brasil, o carioca Matias Maxx sempre quis saber como é produzida a erva consumida no país. Há três anos, ele começou a planejar uma reportagem sobre as lavouras de maconha no Paraguai. Quando o CESeC e a Agencia Pública anunciaram o concurso de microbolsas para realização de matérias sobre maconha, o jornalista de 37 anos  já tinha pronta a pauta de uma reportagem impactante.

    “Era uma matéria difícil de fazer, dispendiosa. Não daria para fazer por conta própria. Foi uma oportunidade”, conta Matias, que em 2016 venceu o V Prêmio Latino Americano de Periodismo sobre Drogas, com o texto “A pacificação do Complexo do Alemão deu certo?”.

    Para fazer a reportagem “Destrinchando a maconha paraguaia”, Matias se valeu da ajuda de um antigo ativista, que o colocou em contato com o gerente de uma das plantações, o brasileiro identificado na matéria como Adriano. O jornalista voou para  Dourados (MS) e, de táxi, cruzou a rua que separa a cidade brasileira de Ponta  Porã de Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

    Em Pedro Juan Caballero, o repórter encontrou Adriano. Numa caminhonete, por péssimas estradas, o dois seguiram então  para a fazenda onde passaria os próximos 15 dias. Matias ficou hospedado em uma casa simples, com os gerentes da plantação. Os trabalhadores da roça – paraguaios de origem indígena,  que há gerações plantam a maconha – ficavam acampados. As  fotos que ilustram a matéria foram feitas pelo próprio Matias, com um iPhone comprado com os recursos da bolsa. “Não permitiram que eu levasse câmeras”, lembra ele. Também não o deixaram sozinho em nenhum momento.

    Apesar de conviver com homens armados todo o tempo – as armas diferenciam os que tem postos de chefia dos lavradores – Maxx conta que não sentiu medo. “Eu já fiz muitas reportagens em favelas, portanto vi a situação com naturalidade”, lembra. Ele só se preocupou quando o contato que viria busca-lo para ir embora não apareceu no dia marcado. “No meio do mato, não havia comunicação. Pensei: ‘Poxa, como vou sair?’.” O contato acabou aparecendo dois dias depois.

    No texto, o jornalista conta o dia-a-dia do trabalho da plantação,  relatando desde as refeições dos peões – à base de feijão, arroz e charque —  à vinda de um representante da polícia paraguaia, que exigiu dinheiro para cancelar uma operação.

    Só não deu para descrever o cheiro:  “Nenhum relato verbal, textual, em vídeo ou foto é capaz de transmitir o estonteante e estupefaciente odor da plantação, um cheiro forte, doce, herbal e resinoso que chega às narinas muito antes de se avistar o primeiro pé”, escreveu na matéria. Segundo o repórter, o odor das folhas não causa entorpecimento, mas tem propriedades terapêuticas.

    A reportagem é acompanhada de um segundo texto, “Como nasce o prensado”, que conta como a maconha é armazenada e prensada para a comercialização no Brasil. Nela, o jornalista descreve as péssimas condições de armazenagem da erva. Mesmo mofada e com fungos, a erva ainda assim é prensada para a venda.

     

    Leia aqui a matéria completa “Destrinchando a maconha paraguaia”

    Leia outros posts sobre o Microbolsas no blog:

     

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  • 29
    ago
    Cultivo de maconha para fins medicinais cresce no Brasil

    Produção de óleo é tema de segunda reportagem de concurso do CESeC e Agência Pública

    Texto de Anabela Paiva

    Tarso Araújo costuma se apresentar como um  “jornalista viciado no debate sobre drogas”. Há anos o repórter carioca se dedica a investigar o uso e as políticas de drogas, um tema pouco explorado pela imprensa. Em 2014, duas reportagens que assinou em um número especial da revista Superinteressante lhe deram o primeiro lugar no Prêmio Gilberto Velho Mídia e Drogas, realizado pelo CESeC.   Em maio último, Tarso voltou a ser premiado, com uma das quatro microbolsas de um concurso para a realização de investigações sobre Maconha, uma parceria do CESeC e da Agência Pública.

    O resultado do trabalho acaba de ser publicado pela agência e reproduzido no portal UOL. Na reportagem, Tarso volta a investigar o uso medicinal da maconha, tema também do seu documentário “Ilegal”, realizado com Raphael Erichsen e lançado em 2014. Desta vez, o jornalista se dedicou a mostrar pessoas e grupos que estão cultivando a maconha para fins terapêuticos – uma atividade que ganha força a cada dia no Brasil, ainda que de forma clandestina.

    O trabalho de apuração da matéria levou Tarso a João Pessoa, onde funciona a  associação de pacientes Abrace Esperança, única autorizada a cultivar a planta e produzir óleo medicinal por liminar de uma juíza federal. Depois, o jornalista foi a Santa Catarina para conhecer um produtor clandestino, que Tarso acredita ser o pioneiro da produção do óleo de maconha no Brasil.

    Além deles,  Tarso identificou 17 associações de pacientes com planos de iniciar o cultivo da maconha para fins medicinais.  “Todas essas pessoas tem uma ligação muito forte com a planta, quase religiosa e simbólica”, conta ele. “Eles pregam a paz. Não existe violência, são quase hippies”.

    O jornalista de 40 anos, que já foi repórter da Folha de S. Paulo e editou a revista Galileu, lançará em novembro  um dicionário sobre drogas e políticas de drogas dedicado a jornalistas.

    Leia a reportagem completa aqui

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  • 28
    ago
    Agência Pública divulga primeiras reportagens do Concurso Microbolsas Maconha

    Em março deste ano, a Agência Pública lançou o Concurso Microbolsas Maconha, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes – CESeC. O objetivo do concurso é produzir, publicar e disseminar reportagens que ampliem o conhecimento sobre os mecanismos de consumo, uso e repressão da maconha.

    Foram recebidas 197 pautas – recorde de inscrições em concursos de microbolsas. As inscrições vieram de 44 cidades de 15 estados brasileiros e 12 de fora do Brasil. Quatro repórteres venceram o concurso e receberam 7 mil reais cada um para produzir matérias inéditas e inovadoras sobre o tema da maconha:  Cadu Barcellos, Gil Luiz Mendes, Tarso Araújo e Matias Maxx.

    Conheça as reportagens divulgadas até agora:

    Destrinchando a maconha paraguaia e Como nasce o “prensado” , de Matias Maxx

    Óleo de maconha vira “farmácia clandestina”, de Tarso Araújo

     

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  • 31
    jul
    Mais do mesmo? (Julita Lemgruber)

    Em sete anos, a prefeitura do Rio de Janeiro investiu 350 milhões de reais em programas sociais na Maré. Os 15 meses de ocupação daquela área pelas forças armadas custaram aos cofres públicos 600 milhões de reais. Não é difícil entender que esta equação não fecha.

    E não fecha porque ocupação militar, seja pelas forças armadas, seja pela força nacional, seja por policiais militares, não é política de segurança pública sustentável. Não fecha porque não se investe em programas sociais que possam, de fato, construir possibilidades para a juventude das áreas pobres desta infeliz cidade.

    Caminhar pelas ruas da Maré hoje e constatar a desenvoltura com que jovens transitam fortemente armados é a prova definitiva de que soluções emergenciais, pontuais, não importa a dimensão do investimento, estão fadadas ao fracasso. Não há soluções mágicas, simples ou imediatas que possam garantir a segurança dentro e fora das favelas.

    Mas, o que precisamos, de imediato, e para isto não precisamos de tropas federais, é redefinir a forma como a polícia fluminense lida com o tráfico de drogas. O Rio de Janeiro vem desenvolvendo uma política míope de guerra às drogas. Aparentemente, o governo federal parece concordar com a estratégia e vem colocar mais lenha nesta fogueira. As mortes diárias de policiais, de supostos traficantes e de moradores das favelas não causam qualquer indignação. Parecem fazer parte da paisagem. Desafiar esta política é preciso. A obrigação do governo federal é, sobretudo, desafiar esta política e não fortalecer estratégias suicidas.

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  • 08
    maio
    Conheça os vencedores das Microbolsas Maconha!

    Redação da Agência Pública

     

    No fim de março, a Agência Pública lançou o Concurso Microbolsas Maconha, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes – CESeC. O objetivo do concurso é produzir, publicar e disseminar reportagens que ampliem o conhecimento sobre os mecanismos de consumo, uso e repressão à maconha.

    Durante o último mês, recebemos 197 pautas – recorde de inscrições em concursos de microbolsas. As inscrições vieram de 44 cidades brasileiras, espalhadas por 15 estados. Nesta sétima edição das microbolsas, passamos a aceitar pautas sobre outros países. Recebemos 12 inscrições vindas de fora do Brasil, propostas por repórteres baseados em países como Espanha, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Itália.

    Abaixo, apresentamos os repórteres vencedores do concurso, selecionados pelas diretoras da Agência Pública, Marina Amaral e Natalia Viana, e pela coordenadora do CESeC, Julita Lemgruber. Os escolhidos vão receber uma bolsa de 7 mil reais e a mentoria da Pública para produzir a pauta proposta.

    Cadu Barcellos – É formado na Escola de Cinema Darcy Ribeiro e ESPOCC (Escola Popular de Comunicação Critica) no Observatório de Favela, onde também foi coordenador de metodologia do curso nos anos de 2012 e 2013. Dirigiu o curta “Feira da Teixeira” (2006) e o programa “Crônicas da Cidade” (2007), do Canal Futura. Foi diretor e roteirista da série “Mais X Favela” (Multishow), diretor e agumentista do episódio “Deixa Voar”, que compõe o longa “Cinco vezes favela Agora por nós mesmos” (2010), produzido por Carlos Diegues e escolhido para a Seleção Oficial do Festival de Cannes de 2010.

    Gil Luiz Mendes – Jornalista recifense com dez anos de experiência e passagens por rádio, impresso e internet. Vencedor do 5º prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, Menção Honrosa no 32º prêmio Vladmir Herzorg de Direitos humanos e finalista do 2º Prêmio Sebrae de Jornalismo.

    Tarso Araújo – É jornalista desde 2004, tendo passado pelas redações do jornal Folha de S.Paulo e das revistas Superinteressante, Galileu, Placar e Men’s Health. Com reportagens sobre drogas, venceu o prêmio Gilberto Velho Mídia e Drogas 2014, o Prêmio Abril de Jornalismo 2009 na categoria Esporte e o Prêmio Esso de Criação Gráfica em Jornalismo de 2008, além de uma medalha de bronze no Malofiej 2017. É autor do livro “Almanaque das Drogas” e co-diretor do filme “Ilegal”.

    Matias Maxx – É fotografo e jornalista. Começou sua carreira em 1998 publicando em revistas de entretenimento como BiZZ e Trip. Desde 2010 é correspondente da VICE Brasil, onde dentre muitas pautas destacam-se entrevista com Rafael Braga, com a prostituta que denunciou as violações perpretadas pela polícia no “prédio da caixa” em Niterói, e a reportagem “A pacificação do complexo alemão deu certo?”, contemplada com o primeiro lugar no V Prêmio Latinoamericano de Jornalismo Sobre Drogas. Também já produziu e fotografou reportagens em vídeo para agências internacionais como VICE News e Al-Jazeera. Participa da organização da Marcha da Maconha do Rio de Janeiro desde 2007 e em 2012 fundou e editou os quatro números da revista semSemente, a primeira revista impressa sobre maconha no Brasil.

    O resultado dessas mentorias você confere aqui em nosso site nos próximos meses!

     

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