PM fora de serviço: intervenção não muda perfil de agentes de segurança mortos no RJ

Rio de Janeiro RJ 11 09 2018 Policiais e militares deflagram operação contra o roubo de cargas no Rio de Janeiro. Ação foi supervisionada pelo secretário de Segurança, general Richard Nunes | Vladimir Platonow/Ag. Brasil

Os policiais militares são, mais uma vez, maioria entre os 96 agentes de segurança mortos de fevereiro a dezembro de 2018, durante a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. A maior parte deles estava em seu tempo livre – e não trabalhando como agente de segurança pública no momento em que perderam a vida. Os números são do levantamento feito pelo Observatório da Intervenção e levam em consideração as mortes de policiais civis, federais e militares, além de oficiais das Forças Armadas, agentes penitenciários e membros do Corpo de Bombeiros. Não há dados sobre Guarda Municipal.

O estudo mostra que 76% dos agentes mortos no período pesquisado eram policiais militares – o equivalente a 73 agentes. O segundo grupo de segurança que mais morreu durante a intervenção foram os membros das Forças Armadas: 11 militares.Houve, ainda, o assassinato de cinco policiais civis, três agentes penitenciários, dois bombeiros, um policial rodoviário e um policial federal.

Fonte: Levantamento do Observatório da Intervenção

Entre os 96 agentes mortos na intervenção, a maior parte era de sargentos (27). Os cabos e soldados foram o segundo grupo mais afetado, com 20 mortes em cada patente.

Fonte: Levantamento do Observatório da Intervenção

Os agentes assassinados tinham, em média, 39 anos.

‘Policial morre em serviço’. Será?

Apenas 25% dos policiais mortos durante a intervenção estavam em serviço no momento em que foram assassinados. Um total de 64,5% agentes assassinados – o equivalente a 62 pessoas – estavam em seu período de folga. Um dos policiais mortos era aposentado (ele foi baleado durante um assalto). Os outros nove agentes já haviam sido reformados.

Dos policiais em folga, 31 foram mortos em casos de latrocínio (roubo seguido de morte), e 17 em brigas, vinganças ou execuções. Em 14 casos, o Observatório não pôde identificar as circunstâncias da morte.

Nos casos classificados pelo OI como latrocínio, 12 agentes foram assassinados depois de terem reagido a um assalto do qual estavam sendo vítimas. Além disso, segundo o levantamento, três agentes foram mortos ao serem identificados como policiais durante o assalto. Existe a suspeita de um quarto caso desse tipo, ainda não confirmada.

Fonte: Levantamento do Observatório da Intervenção

Onde aconteceram as mortes?

Quase a metade das mortes de agentes de segurança registradas de fevereiro a dezembro – 49 – aconteceram na cidade do Rio de Janeiro. O segundo município com mais assassinatos foi Duque de Caxias (8). Em terceiro lugar, aparecem três municípios, com seis mortes cada: São Gonçalo, Belford Roxo e Nova Iguaçu.

Fonte: Levantamento do Observatório da Intervenção

Total de agentes mortos na intervenção diminuiu no mesmo período de 2017

Durante o período da Intervenção Federal, o aplicativo Fogo Cruzado mostrou que o número de policiais mortos diminuiu 15,3%em comparação com o mesmo período de 2017. Ao todo, 111 policiais morreram de 16 de fevereiro a 21 de dezembro de 2017. Esse número caiu para 94 durante a intervenção.

Além disso, o Fogo Cruzado traz ainda os dados de policiais feridos. O número de policiais feridos caiu de 202 em 2017 para 184 no mesmo período de 2018. Essa queda representa uma diminuição de 8,9% de policiais feridos.

Número de agentes mortos e feridos diminuiu durante a intervenção federal

Fonte: Fogo Cruzado

Editado por: Natália Leal e Cristina Tardáguila

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