Rede de observatórios vai monitorar violência em cinco estados

Racismo nas políticas de segurança pública é uma das preocupações da Rede de Observatórios

Pesquisadores se uniram para acompanhar de perto políticas de segurança pública em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco

São Paulo – Para mapear a situação da violência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco, pesquisadores, movimentos sociais, universidades e organizações da sociedade civil se uniram para criar a Rede de Observatórios da Segurança. Um dos objetivos é fazer o cruzamento de dados oficiais com aqueles colhidos por movimentos e outras organizações. Lançado nessa terça-feira (28) no Rio de Janeiro, o novo órgão começa a operar a partir de 1º de junho.

A cientista social Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Cândido Mendes, vai coordenar a rede. A intenção é levar a experiência adquirida com ações como o Observatório da Intervenção, que monitorou as ações das Forças Armadas no estado do Rio, no ano passado.

À repórter Viviane Nascimento, do Seu Jornal, da TVT, Silva destaca o atraso no debate sobre segurança pública no Brasil. “Mudamos na área de saúde, de educação, no combate à fome, mas na área da segurança pública temos ainda um quadro de quando a escravidão era legalizada. Não é possível que a gente não consiga mudar isso.”

A rede pretende incluir novos indicadores e dados geralmente subnotificados sobre ameaça, violência contra a comunidade LGBT, feminicídio, intolerância religiosa, e chamar a atenção para as perspectivas racistas nas políticas de segurança pública. “Esse é um componente que nós podemos verificar em todos os cinco estados, porque são os negros e negras que vão ser os mais encarcerados, os mais assassinados, os mais violentados em situação de rua”, afirma o integrante da Iniciativa Negra por uma Nova Política Sobre Drogas (INNPD-BA) Dudu Ribeiro.

Assista à reportagem da TVT

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